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Brasil é o maior mercado de games da América Latina. Como trabalhar com jogos digitais?

dezembro 12, 2018
Tempo de leitura 5 min

O Brasil é o maior mercado de games da América Latina e o 13º no ranking mundial, segundo a consultoria Newzoo. Mesmo com a recessão dos últimos anos, o mercado de jogos eletrônicos cresceu no Brasil. Em 2017, o número de jogadores era de 66,3 milhões no Brasil; a estimativa para 2018 é que o país alcance 75,7 milhões de gamers.

O crescimento no número de empresas na área acompanha o ritmo: o número saltou 600% nos últimos 8 anos. Apenas entre 2013 e 2018, os estúdios desenvolvedores de games passaram de 142 para 375 no Brasil, segundo o 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais. O mercado ainda é predominantemente masculino, mas a presença de mulheres trabalhando na indústria de games triplicou em 5 anos. 

Mas como fazer do mundo dos games uma profissão? Há diversas respostas para a pergunta, mas todas elas passam necessariamente por formação de qualidade, focada em inovação e com acesso aos mais modernos recursos tecnológicos. Para Fabiano Funari, especialista em diretor da empresa W7MGaming, há no Brasil boas faculdades para quem deseja trabalhar com jogos digitais. “É um cenário novo, que vem crescendo muito e deve ser explorado. É necessário pensar em todas as frentes, do desenvolvedor do game até o jogador profissional”, diz Fabiano. Ter uma visão global de toda a linha de produção é uma das expertises dos engenheiros, o que torna o curso um dos mais indicados para quem deseja se inserir nesse mercado.

Para os que desejam trabalhar especificamente com o desenvolvimento dos jogos, o curso de Engenharia de Computação oferece todas as capacitações técnicas necessárias para que o profissional atue na área. O currículo deve ser desenvolvido priorizando uma formação ampla, que alie teoria e prática. Entre os diferenciais desse curso, está a possibilidade de trabalhar tanto com hardware, como com software. Além disso, ao final do curso, o profissional está apto a solicitar o registro no CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Muitas funções só podem ser desempenhadas por engenheiros certificados.

Formação generalista

Mas mesmo os cursos que oferecem formação mais generalista, como Administração, podem ser bons caminhos para quem quer trabalhar no mundo dos games. Entre os cargos costumeiramente ocupados por administradores estão Supervisor de Produtos e Gerente de Marcas, por exemplo. Os engenheiros, além desses postos, encontram lugar também como desenvolvedores e designers. “Há muitos administradores e engenheiros trabalhando com jogos digitais”, ressalta Fabiano.

O setor de entretenimento digital envolve múltiplas áreas, que vão da computação gráfica à inteligência artificial, passando por multimídia e animação. É uma área em franco amadurecimento. Segundo a consultoria PwC, os segmentos ligados à economia criativa, como os jogos digitais, devem crescer 4,6% ao ano até 2021. Entram nessa conta todos os negócios que trazem soluções inovadoras, normalmente pautadas na tecnologia,para atividades da sociedade.

Além do ramo do entretenimento, há diversas outras vertentes possíveis para o desenvolvimento de games. “Hoje há equipes de Fórmula 1, por exemplo, em que os pilotos treinam em simuladores, os mesmos que os jogadores de esportes digitais utilizam, para poder testar a pista e o carro”, diz o especialista.

O setor de educação básica também é um dos campos promissores para o mercado de jogos digitais. O uso da tecnologia como ferramenta de aprendizado vem se expandindo. Jogos educativos podem ajudar na alfabetização, matemática, ensino de línguas e até competências como estratégia e trabalho em equipe. Conceitos como gamificação – uso de elementos e estratégias jogos digitais em contextos do cotidiano – e design thinking –processo que permite a resolução de problemas complexos através de técnicas de entendimento, análise, criação e aplicação de conceitos – estão aos poucos chegando às salas de aula não só das faculdades, como do ensino básico.

As possibilidades não param por aí. A saúde utiliza cada vez mais a realidade virtual como auxiliar em procedimentos. Fabiano diz que a tecnologia já adentrou na medicina de maneira definitiva, através de jogos que simulam cirurgias, por exemplo. Games também já são utilizados na reabilitação de vítimas de traumas, AVCs ou paradas cardíacas. O chamado “biofeedback”, quando o corpo do paciente responde a um estímulo feito pelo jogo eletrônico, ajuda os médicos a acompanharem a recuperação de pacientes que sofreram acidentes, por exemplo. Equipes de esportes tradicionais, como o futebol, também já usam games para auxiliar na identificação e correção de lesões.

O uso dos games no dia a dia é uma tendência que só deve crescer. “Iremos conviver com simuladores em nosso cotidiano. Isso irá se expandir para diversas frentes”, garante Fabiano. No mercado de trabalho, a gamificação pode ajudar a motivar funcionários a trabalhar em equipe, a estabelecer metas e recompensas e a sentirem-se mais satisfeitos.

Para trabalhar nesse mercado, é necessário investir em capacitação profissional. A faculdade, independentemente do curso escolhido, é o primeiro passo para uma carreira de sucesso na área. O aperfeiçoamento profissional, no entanto, deve ser constante. Quem apostar em qualificação na área, encontrará um mercado promissor. Segundo a Abragames, associação que representa o setor, faltam profissionais aptos no Brasil.

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